| Malan
confirma medidas do pacote de Tápias
Sugestões apresentadas pelo ministro do Desenvolvimento serão postas em
prática. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, reafirmou ontem que o governo
vai adotar as medidas de incentivo às exportações anunciadas na sexta-feira
da semana retrasada pelo ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias,
e negou "dissonâncias" entre os dois ministérios. O conjunto de medidas
foi objeto de polêmicas na ocasião e provocou uma reunião, na segunda-feira
da semana passada, no Palácio do Planalto, por conta de declarações do
secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, subordinado a Malan, segundo
as quais a Receita não teria informações suficientes sobre como executar
as medidas na área tributária. "Há óbvia necessidade de estímulos às exportações
sem subsídios", afirmou Malan. Ele lembrou que as exportações cresceram
17% em relação ao ano passado e as exportações de manufaturados aumentaram
22%. Os investimentos diretos no Brasil somaram US$ 23 bilhões em dez
meses, "mais do que financiando o déficit em conta corrente", disse o
ministro na palestra de abertura do seminário sobre a regulamentação do
artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro. Ele afirmou
que quando foi anunciado o pacote de incentivo às exportações, no Rio,
a medida foi tomada em comum acordo entre os dois ministérios. Malan considerou
também que se deu importância demasiada a "uma suposta frase que alguém
teria ouvido no corredor". O ministro se referia a declarações do secretário
da Receita em entrevista coletiva, que irritaram Tápias. Malan ressaltou
que, naquela ocasião, Everardo Maciel não fez declarações contrárias ao
pacote na entrevista concedida logo após a divulgação das medidas. Malan
disse ainda que não existe dissonância em relação às propostas de redução
das tarifas de importação para incentivar a produção nacional. Ele disse
que "às vezes, algumas discordâncias são elevadas à categoria de desavença,
mas o que existe, de fato, são divergências em relação ao ritmo do gradualismo
da redução das alíquotas de importação para insumos para a indústria nacional".
Ele considerou lamentável que, "com freqüência, questões técnicas sejam
elevadas à categoria de desavenças políticas". O ministro acrescentou
que há a divergência técnica em relação às tarifas brasileiras. Ele considera
as tarifas bastante elevadas, mas lembra que muitas não são colocadas
em prática. "Alguns acham que elas deveriam continuar no atual patamar
para que possam ser usadas como barganha no âmbito da renegociação dessas
tarifas na OMC. Outros, acham que como elas não são utilizadas pelo Brasil,
não abrem possibilidade de barganha. Tudo é uma questão de tática negociadora",
disse. Argentina - Malan não tem dúvidas de que o governo argentino conseguirá
um acordo de ajuda financeira expressivo. Segundo ele, o país, assim como
o Brasil, sofre com a vulnerabilidade externa. O ministro citou as três
principais fatores de vulnerabilidade: a desvalorização do euro, que impacta
diretamente as exportações; o elevado preço do petróleo e a elevação potencial
das taxas de juros.
|